Ricardo Mendes, CEO da unicórnio de drones português Tekever (€1,2B de avaliação), diz que o caminho da empresa desde a academia até à linha da frente da Ucrânia foi tudo menos planeado. Fundada em 2001 fora do setor da defesa, a Tekever só se voltou para sistemas autónomos anos mais tarde, percebendo que software, IA e dados — não apenas hardware — definiriam o futuro.
Convidada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, a Tekever adaptou a sua tecnologia de vigilância civil para a guerra moderna, onde drones de baixo custo podem neutralizar ativos de milhões de euros. A Ucrânia, admite Mendes, é diferente de outros conflitos: a linha moral é clara e o impacto emocional é real, com colegas e parceiros diretamente afetados pela guerra.
Apesar de operar na defesa, a Tekever posiciona-se como uma empresa de tecnologia e dados, não como fabricante de armas — uma distinção que ajudou a atrair investidores como Baillie Gifford e o Fundo de Inovação da NATO. Mendes acredita que Portugal tem tudo o que precisa para ter sucesso neste setor: talento de topo, visão a longo prazo e a capacidade de construir tecnologia competitiva a nível global onde o fracasso não é uma opção.