Grandes operadores europeus estão a acelerar parcerias para evitar serem marginalizados pela Starlink, a constelação de órbita terrestre baixa operada pela SpaceX de Elon Musk.
Três dos principais grupos de telecomunicações do continente — Telefónica, Orange e Vodafone — anunciaram colaborações com a AST SpaceMobile para explorar serviços satelitais direto ao dispositivo (D2D), permitindo que smartphones padrão se conectem diretamente via infraestrutura espacial.
A Telefónica apoia o Satellite Connect Europe
No Mobile World Congress, a Telefónica apresentou um acordo com o Satellite Connect Europe (SCE), uma joint venture entre a AST SpaceMobile e a Vodafone.
Com sede no Luxemburgo e gerido a partir da Europa, o SCE tem como objetivo complementar — e não substituir — as redes móveis terrestres. O acordo irá explorar a integração satelital nas redes da Telefónica na Espanha e na Alemanha, operando sob regulamentações e estruturas de espectro europeias.
O SCE está a investir em estações terrestres na Alemanha, UK, França e Espanha, apoiado por um centro de controlo na Alemanha, uma instalação de produção de satélites em Barcelona e um laboratório de testes em Málaga. Os satélites da AST — incluindo o seu mais recente modelo Bluebird 6 — apresentam algumas das maiores antenas em órbita terrestre baixa, projetadas para captar sinais fracos de smartphones e retransmiti-los para estações terrestres, onde as redes terrestres completam a conexão.
A Orange prepara testes de D2D
A Orange também assinou acordos com a AST e o SCE. O operador francês planeia realizar demonstrações satelitais D2D na Roménia no segundo semestre de 2026, cobrindo voz, SMS e dados.
Além de testes de conectividade, a Orange e a AST estão a estudar a integração numa rede central gerida pelo operador, alinhando-se com os requisitos de segurança e conformidade europeus.
Uma estratégia diferente da Starlink
O modelo da AST é baseado em parcerias: depende de operadores de telecomunicações existentes para distribuir serviços e direcionar tráfego através de redes terrestres. Os seus acionistas incluem a Vodafone e a Rakuten do Japão.
A Starlink, por outro lado, está a seguir um caminho mais disruptivo — promovendo a interação direta com dispositivos móveis e potencialmente contornando operadores tradicionais por completo. Com mais de 8.000 satélites já em órbita e uma forte capacidade de lançamento, a SpaceX tem escala do seu lado.
Por enquanto, o sistema da Starlink opera melhor em áreas rurais, offshore e remotas, onde a cobertura convencional é fraca. Os seus limites de capacidade atuais tornam a cobertura urbana densa mais desafiadora — mas os operadores europeus estão claramente relutantes em esperar para ver como isso evolui.
Mantendo opções abertas
Apesar das preocupações, alguns operadores estão a diversificar os seus riscos. A subsidiária espanhola da Orange, Masorange, lançou um piloto da Starlink em Valladolid para melhorar a cobertura em áreas carenciadas. Entretanto, a joint venture da Telefónica no Reino Unido, Virgin Media O2 (VMO2), também assinou um acordo para usar a Starlink para reforçar a conectividade rural.
A mensagem dos gigantes das telecomunicações da Europa é pragmática: a conectividade satelital já não é opcional. A verdadeira questão é quem controla a relação com o cliente — e se o espaço se tornará um complemento para as redes móveis ou o seu concorrente mais sério até agora.