O advogado Adolfo Mesquita Nunes e Arlindo Oliveira, Professor do Instituto Superior Técnico, debateram os desafios tecnológicos e relacionados com a IA que Portugal enfrentará durante o próximo mandato presidencial, numa discussão moderada por José Pedro Frazão.
Aqui está a versão sem rodeios — nada de confusão de palavras-chave.
1. A IA é inevitável, a preparação é opcional (mas cara)
Arlindo Oliveira foi claro: a adoção da IA não é um cenário futuro, já está aqui. O verdadeiro risco para Portugal não é “a IA substituir empregos” — é Portugal falhar em escalar talento, investigação e inovação aplicada rapidamente. Países que hesitam tornar-se-ão consumidores de tecnologia, não criadores.
2. Regulação: equilíbrio ou pedal de travão?
Adolfo Mesquita Nunes sublinhou que a regulação definirá a competitividade. A Europa adora regras — por vezes um pouco demais. O desafio é evitar a sobre-regulação que afasta a inovação, enquanto se protegem os cidadãos. A governação da IA deve ser inteligente, flexível e alinhada com a realidade económica, não escrita como uma peça de museu jurídico.
3. O Estado como gargalo (e potencial acelerador)
Ambos concordaram que o setor público português se move lentamente — o que é um problema quando a tecnologia evolui mensalmente. A transformação digital do Estado, a IA nos serviços públicos e a melhor aquisição de tecnologia não são “apenas agradáveis de ter”; são obrigatórias se Portugal quiser relevância.
4. Talento: treinado aqui, contratado em outro lugar
Portugal forma engenheiros e investigadores competentes — e depois exporta-os. Sem condições competitivas, projetos ambiciosos e verdadeiras pontes entre a indústria e a academia, a fuga de cérebros continuará. O patriotismo não paga as contas.
5. Visão estratégica vence iniciativas isoladas
Projetos piloto dispersos não bastarão. Portugal precisa de uma estratégia tecnológica a longo prazo, independente dos ciclos políticos. A IA, a infraestrutura de dados, a cibersegurança e a educação devem ser tratadas como prioridades nacionais — não momentos de comunicação à imprensa.
Os próximos cinco anos decidirão se Portugal jogará ao ataque ou à defesa em IA e tecnologia. As ferramentas existem. O talento existe. O que falta é velocidade, coordenação e coragem.
O tempo está a passar — e a IA não espera por eleições.