Mariana Figueiredo Salvaterra, a CEO da empresa tecnológica suíça Zühlke em Portugal, partilhou recentemente a sua trajetória profissional no podcast The CEO is the Limit. O seu caminho não foi linear. Enfrentou a falência de uma empresa e dois despedimentos precoces, o que a ensinou a focar nas pessoas e na aprendizagem contínua. Hoje, utiliza a sua plataforma para desafiar os estigmas da indústria, apontando que os líderes devem estar confortáveis com o risco e as suas próprias limitações.
Um dos principais focos da defesa de Salvaterra é abordar os obstáculos estruturais que as mulheres enfrentam nas áreas STEM. Ela notou este desequilíbrio logo no início dos seus estudos de engenharia informática, onde era uma das apenas quatro mulheres numa turma de trinta. As organizações ainda lutam contra o viés de género na atribuição de funções corporativas, frequentemente afastando as mulheres das tarefas de engenharia fundamentais e direcionando-as para funções administrativas.
Os Estereótipos Subtis em Equipas Técnicas
A desigualdade no local de trabalho raramente se deve à falta de capacidade técnica. Em vez disso, uma profunda condição social enraizada influencia subtilmente como os gestores distribuem os projetos.
Esta divisão invisível do trabalho manifesta-se de maneiras claras:
- Propriedade Técnica: Os desafios mais complexos de engenharia de software e arquitetura são rotineiramente atribuídos a membros masculinos da equipa.
- Tarefas de Apoio: As atribuições de competências interpessoais, como organizar eventos da empresa e reuniões de team building, são inconscientemente delegadas a colegas femininas.
- Condição Infantil: Estes padrões no local de trabalho ecoam estereótipos da infância que rotulam brinquedos específicos, interesses académicos e profissões por género.
Estes padrões repetitivos mostram como os estereótipos de género na tecnologia e na formação de equipas limitam o desenvolvimento profissional. Quando as empresas relegam as mulheres a tarefas organizacionais, limitam as suas oportunidades de demonstrar domínio técnico.
Mudando o Foco para uma Liderança Flexível e Baseada em Resultados
Para combater estas questões sistémicas, Salvaterra defende culturas corporativas construídas inteiramente sobre autonomia, confiança e responsabilidade. A sua própria abordagem à gestão executiva mudou após se tornar mãe, o que a ensinou a focar nos resultados de alto nível em vez de micromáticas diárias. Este estilo de gestão é crucial para desmantelar o viés implícito nos modelos de seleção de liderança corporativa que favorecem a presença rígida no escritório em vez da entrega real do projeto.
Ao adotar arranjos de trabalho flexíveis e métricas de desempenho objetivas, as empresas tecnológicas podem criar padrões de avaliação objetivos. A verdadeira igualdade corporativa requer que as equipas executivas auditem ativamente como atribuem cargas de trabalho de alta visibilidade. Para acompanhar os movimentos da indústria, os profissionais seguem frequentemente um dedicado portal de notícias tecnológicas para se manterem atualizados sobre marcos de equidade. Além disso, muitos consultores independentes optam por basear as suas operações em um hub de coworking moderno para criar redes com líderes corporativos progressistas que trabalham ativamente para desconstruir estas atribuições de tarefas tradicionais.